Renata Sorrah estreia nova temporada de “Esta Criança” no Teatro Dulcina


Com texto do dramaturgo francês Joël Pommerat, espetáculo com Cia Brasileira de Teatro integra o projeto Dulcinavista

Renata Sorrah - Teatro Dulcina - Foto: Sandra Delgado / Divulgação

Renata Sorrah – Teatro Dulcina – Foto: Sandra Delgado / Divulgação

A partir do dia 15 de novembro, sábado, o projeto Dulcinavista receberá a reestreia do espetáculo “Esta Criança”. Sucesso de público e crítica em 2013, a peça de Renata Sorrah e a Cia Brasileira de Teatro ficará em cartaz até o dia 30/11, de sexta a domingo, sempre às 19 horas. O texto é do dramaturgo e diretor francês Joël Pommerat, inédito no Brasil, e a direção é de Márcio Abreu. No elenco, além de Sorrah, estão os atores Giovana Soar, Ranieri Gonzalez e Edson Rocha, que se distribuem entre 22 personagens.

Desenvolvido pelo Galpão Gamboa, o Dulcinavista teve início em agosto e vai até dezembro. O projeto conta com espetáculos adultos, infantis, leituras e oficinas. A direção artística é de Marco Nanini e Fernando Libonati e a curadoria é de César Augusto.

Esta Criança

A estreia do autor no Brasil é uma iniciativa da atriz Renata Sorrah e da Cia Brasileira de Teatro. Em mais de 40 anos de carreira, impactantes atuações em espetáculos, no cinema e na televisão fizeram de Renata um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Ao lado dela, neste projeto, está a premiada Cia Brasileira de Teatro, fundada há 12 anos, em Curitiba, pelo ator, dramaturgo e diretor Marcio Abreu. Curiosamente, Renata e a CBT têm em comum, entre outras investigações artísticas, a descoberta de dramaturgos contemporâneos, inéditos no Brasil, a exemplos do alemão Botho Strauss (“Grande e Pequeno”, 1985) e do norueguês Jon Fosse (“Um dia, no verão”, 2007), trazidos em espetáculos produzidos por Renata Sorrah – que também atuou nas montagens do alemão Rainer Werner Fassbinder (“Afinal… Uma Mulher de Negócios”, 1977, e “As Lagrimas Amargas de Petra Von Kant”, 1982) – e do francês Jean-Luc Lagarce (“Apenas o fim do mundo”) e do siberiano Ivan Viripaev (“Oxigênio”), espetáculos dirigidos por Marcio, na Companhia.

Há dois anos, Renata e Marcio buscam sintonizar-se em um projeto que os levaria juntos, pela primeira vez, ao palco. Depois de vários encontros e leituras, descobrem-se em uma feliz coincidência, Joël Pommerat, ao qual, ironicamente, já haviam sido apresentados anos antes, e “Esta Criança” (Cet Enfant) dá a largada para este encontro inédito. Escrita sob encomenda, em 2003, para o Instituto de Previdência Familiar da França (CAF), o texto tem sua primeira montagem realizada em Paris, em 2006, e no ano seguinte estreia em Moscou, nas duas ocasiões sob direção do autor. Prêmio de Melhor Texto Teatral em língua francesa, “Esta Criança” teve sua estreia no Brasil outubro de 2013.

“Esta Criança” é composto por 10 cenas curtas e apresenta como tema único, ao mesmo tempo fragmentado em diferentes aspectos de abordagem, a relação entre pais e filhos. Constrangedoras, engraçadas, tristes, estranhas, as situações de morte, nascimento, adoção, abandono, agressão, desabafo, ilustram pontos cruciais e eternos na vida dos personagens sem nomes, reconhecidos apenas pelas relações de parentesco que se tornam aparentes no desenvolvimento dos diálogos.

A atriz Renata Sorrah destaca o caráter universal do texto: “Reconheço aquelas mães, aqueles pais, as relações são tão reconhecíveis! Esta Criança aponta problemas que as pessoas não resolvem porque se preocupam com outras coisas, porque não enxergam que estes mesmos problemas são a própria vida”.

Para o diretor Marcio Abreu “Esta Criança” é uma obra essencial, contemporânea e que propõe ao encenador e aos atores uma linguagem precisa e ao mesmo tempo aberta à criação. E completa: “Esta Criança é uma montagem desafiadora porque exige ser contemplada em amplitude e profundidade, mas com olhar atento à manutenção da simplicidade”.

Joël Pommerat
Com textos montados em vários países, aos 49 anos, Pommerat representa uma referência não somente para a dramaturgia francesa, como também para o teatro mundial. A escritura de Joël Pommerat ocupa-se das relações humanas, sociais, familiares, manifestas na atualidade, mas, ao contrário de “contar histórias” ou explicar a “moral” delas, direciona seu foco para a forma de comunicá-las: empenha-se, na verdade, em revelar a intensidade de um instante. Como o próprio autor comenta: “O teatro é a minha possibilidade de captar o real e de dar ao real um alto grau de intensidade e força. Eu busco o real”.

A equipe
Em 2010, Marcio e Giovana assistiram, em Paris, à Cercles/Fictions, de autoria e direção de Pommerat, quando tiveram contato com Anne, codiretora da Companhia Louis Brouillar. Este ano, estiveram, com Renata, na cidade de Bruxelas, onde puderam assistir à Ma Chambre Froide, ocasião especial em que conheceram o próprio Joël Pommerat e puderam conversar pessoalmente com ele. De volta ao Brasil, a equipe, agora completa, com Nadja, Ranieri e Edson, partiu para estudos e leituras e, em seguida, realizou uma série de leituras dramáticas no Teatro Glaúcio Gil, em Copacabana, com diferentes textos do autor. “Essas leituras foram fundamentais para provocar uma conversa sobre Joël Pommerat, aqui no Brasil, para promover uma aproximação dele com a equipe e entre a própria equipe através dos seus textos que são tão diversos e trazem temáticas tão diferentes”, explica Nadja. Pode-se dizer que, neste momento, a Cia Brasileira de Teatro, originalmente formada por Marcio Abreu, Giovana Soar, Nadja Naira e Ranieri Gonzalez, inclui também Renata Sorrah e Edson Rocha para o mergulho neste trabalho. A equipe se distribui, naturalmente, em outras funções, a exemplo de Nadja que também assina a iluminação, como na maioria dos espetáculos da CBT, e de Giovana que também é diretora e tradutora e, neste projeto, fez a tradução de Cet Enfat.

Ficha técnica
Texto: Joël Pommerat
Tradução: Giovana Soar
Direção: Marcio Abreu
Assistência de direção: Nadja Naira
Elenco: Renata Sorrah, Giovana Soar, Ranieri Gonzalez e Edson Rocha
Iluminação: Nadja Naira
Figurino: Valéria Stefani
Sonoplastia: Felipe Storino
Cenografia: Fernando Marés
Produção: Renata Sorrah Produções Artísticas
Direção de produção: Faliny Barros
Realização: Cia Brasileira de Teatro

Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos

Serviço
Datas: de 15 a 30/11/2014 (sexta a domingo)
Horário: 19 horas
Local: Teatro Dulcina
Capacidade: 300 lugares
Endereço: Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro
Telefone: (21) 2240-4879
Ingressos: R$ 20 (inteira)/ R$ 10 (meia)
Bilheteria: de quarta a domingo, das 14h às 19h
Site: www.dulcinavista.com.br

About the Author

Luiz Souza
Fotojornalista criador do site Subúrbio RJ. O objetivo do site é compartilhar notícias e acontecimentos importantes da cidade do Rio de Janeiro e da região metropolitana do Rio. O foco principal do site é a divulgação de notícias relacionadas à cultura e eventos importantes para a cidade como o Jogos Olímpicos Rio 2016.

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