Radisfoque, espetáculo de teatro infantil


Radisfoque, espetáculo de teatro infantil de Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel Groisman se apresenta em Lonas e Arenas Cariocas

Espécie de ópera-jogo ou musical robótico, montagem produzida pela Ecoar, faz apresentações gratuitas na Penha, Realengo, Pavuna e Pedra de Guaratiba

Radisfoque, espetáculo de teatro infantil de Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel Groisman

Radisfoque, espetáculo de teatro infantil de Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel GroismanRadisfoque, espetáculo de teatro infantil de Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel Groisman. Foto: Divulgação

Afinada que só vendo, a cantora lírica Radisfoque se prepara para fazer um concerto divertido: basta começar a cantar que surgem línguas de sogra em seus dedos, bolhas de sabão aparecem de suas antenas e pipoca quentinha espoca da cabeça de seu assistente. O espetáculo de teatro infantil Radisfoque transmite sensações que se materializam com muito humor e criatividade, um prato cheio para crianças de todas as idades participarem de cada movimento no palco e, sobretudo, se encantarem com um belo repertório de música clássica e traquitanas interativas mirabolantes feitas especialmente para o projeto. A peça é produzida pelo Ecoar Educando com Arte, entidade que desde 1998 promove projetos que incentivam o acesso aos bens culturais da cidade.

No mês de março, o espetáculo se apresenta na Arena Carioca Carlos Roberto de Oliveira – Dicró, no dia 07, sábado, às 15h, e no dia 08, domingo, às 16h30. E na Lona Cultural Gilberto Gil, no dia 11, quarta, às 15h30, e no dia 12, quinta, às 15h.

Já no mês de abril, Radisfoque se apresentará na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra nos dias 08 e 09, às 14h e na Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha nos dias 16 e 17 de abril, às 14h.

Radisfoque é uma criação original da treinadora de improvisação teatral Gabriela Duvivier, da cantora lírica carioca Gabriela Geluda e do artista multi-mídia Michel Groisman. O projeto surgiu de múltiplos anseios do trio, que é reconhecido dentro e fora do Brasil por trânsitos entre música clássica, performance, artes plásticas e teatro. Aproximar as novas gerações de um repertório erudito e do universo da arte performática, integrando tudo com uma dinâmica de interação lúdica inusitada e divertida são alguns destes anseios.

Em cena, a dinâmica ganha o corpo de Gabriela Geluda, a cantora Radisfoque, que interage com Michel Groisman, o cientista maluco. Gabriela é acoplada a diversas traquitanas como, por exemplo, um equipamento formado por 20 línguas de sogras de diferentes cores, adaptadas aos 10 dedos das mãos e aos 10 dedos dos pés; uma ‘coroa-bolha’, composta por pequenas mangueiras, que produzem pequenas bolhas de sabão; e pequenas caixas de acrílico, que produzem um enorme volume de espuma; sem falar nos infláveis, no chapeu-pipoqueira, e no canhão de pipoca. Uma surpresa atrás da outra aguarda o público, que irá interagir com a atriz durante todo o espetáculo. “Tudo isto é controlado através de mais de 200 metros de mangueiras de diferentes larguras que ora estão conectadas a um compressor de ar, ora são operadas pelo próprio sopro dos artistas em cena, e do próprio público”, conta Michel Groisman.

“Radisfoque é aparentemente apenas mais um recital de música clássica, mas rapidamente esta imagem é subvertida, na medida em que o Michel coloca para funcionar as traquitanas que estão acopladas ao meu corpo. Como se isto já não bastasse, ao longo do espetáculo vamos convidando o próprio público a manipular estas máquinas que ele criou. Por isso chamamos de ‘ópera-jogo’, pois o público participa do espetáculo manipulando as traquitanas e interferindo no meu canto, como um jogo. Vamos da sobriedade da música clássica ao completo caos da interatividade com as traquitanas em uma criação coletiva com o próprio público”, conta a cantora lírica Gabriela Geluda.
Cantora lírica e atriz com 20 anos de trajetória, Gabriela Geluda é parceira constante da premiada pianista Jocy de Oliveira nos palcos e, vez por outra, dá expediente em cena no teatro adulto, como em Edypop, projeto d’Aquela Companhia que estreou em janeiro no Rio. Entre os pontos de contato com Gabriela Duvivier, está a amizade iniciada quando ambas moravam em Londres e se especializaram na Técnica de Alexander.

Michel Groisman sempre foi dado a criar traquitanas. Na faculdade de música veio o desejo de inventar instrumentos próprios que dialogassem com o movimento corporal. “Curiosamente, talvez por ter feito a faculdade de música, durante anos fiz performances sem som algum. Fui desenvolvendo jogos para integrar o público em minhas obras”, conta o premiado artista, que já foi agraciado com diversos prêmios e bolsas de pesquisa em arte. Pelo caráter inovador, seu trabalho vem sendo mostrado tanto em museus quanto em festivais de performance, teatro e dança, entre outros, no MoMA e no El Museo Del Barrio, em Nova York, e no Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. Desde 2004 desenvolve parceria com a diretora Gabriela Duvivier. O trabalho mais recente, foi a performance-instalação-interativa Máquina de Desenhar, que foi apresentada na Tate Modern, em Londres.

A diretora Gabriela Duvivier, que introduziu no Brasil a técnica Impro e fundou a primeira companhia de improvisação teatral do Rio de Janeiro, a Cia Teatro do Nada, diz que um dos objetivos de Radisfoque é realizar um espetáculo baseado na comunicação e interação com o público. “Nossos ensaios sempre são muito divertidos, pois o espetáculo é todo composto de brincadeiras, e nosso objetivo é convidar o público a brincar com a gente! E, por incrível que pareça, são sempre brincadeiras realizadas sobre o universo erudito da música clássica”, pontua.

No repertório de Radisfoque estão “Alleluya” do moteto Exultate Jubilate – W. A. Mozart, Zeffiretti Lusinghieri da opera Idomeneo – W. A. Mozart, “Je dis que rien ne m’épouvante”, da ópera Carmen – G. Bizet, e Bachianas Brasileiras número 5 – Villa Lobos.

Sobre o Ecoar Educando com Arte

Criada em 1998, a Ecoar é uma sociedade sem fins lucrativos, filantrópica e independente, que tem como objetivo desenvolver projetos, pesquisas, eventos, capacitações e seminários, relacionados à produção artístico-cultural e educacional. Sua atuação busca a integração dessas áreas com a comunicação, saúde, movimentos populares e meio ambiente, com o objetivo de envolver diferentes linguagens e tecnologias.
Formada por produtores culturais, educadores, entre outros profissionais, a entidade busca consolidar a cultura como uma estratégia necessária para afirmação de uma identidade nacional mais democrática e humana. Em dezembro de 2013, a Ecoar passou a integrar a rede Carioca Pontos de Cultura, sendo contemplada no edital lançado pela Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro. Ao todo a entidade já atendeu cerca de 8 mil crianças e 18 mil jovens e adultos.

Mais sobre os artistas

Michel Groisman – Criador e manipulador das traquitanas
Desenvolve um trabalho que integra arte visual e jogos corporais, desenvolvendo equipamentos para serem utilizados com o corpo em performances, jogos e propostas interativas com o público. Pelo caráter interdisciplinar de seu trabalho recebeu o apoio de diferentes bolsas de pesquisa: Rioarte (2004), Vitae (2002) e Uniarte da Faperj (2000), assim como do Programa Rumos Artes Visuais (1999) e Rumos Dança (2009). Foi premiado no 8o Salão da Bahia (2001), com o Prêmio “O Artista Pesquisador” do MAC de Niteroi (2001), e nomeado para o prêmio Rolex – Mentor e protégé artist initiative (2007).

Gabriela Duvivier – diretora e treinadora de improvisação teatral
É professora da Técnica Alexander. Estudou no Alexander Technique Studio em Londres e também com Keith Johnstone, criador do método Impro. Em 2003, treinou e fundou a primeira companhia. de improvisação teatral do Rio de Janeiro, a Cia Teatro do Nada. Há mais de 10 anos conduz aulas da Técnica Alexander e desde 2004 realiza parceria com o artista Michel Groisman. Juntos os dois têm se apresentado em diferentes festivais de arte, como: In Transit, the Berlin Lab (Berlim); Braaaasil, festival do Centro de Arte Reina Sofia (Madrid); 29a Bienal de São Paulo (São Paulo); Worlds Together Conference, Tate Modern (Londres); e PS 122 (New York). Recentemente realizou residencia artística no Skirball Cultural Center (Los Angeles).

Gabriela Geluda – cantora lírica-atriz
Graduada em canto lírico pela Universidade do Rio de Janeiro e Pós Graduada em Música Antiga cursada na Guildhall School of Music and Drama de Londres. Cantou na opera “Orfeo de Monteverdi” no Barber Institute – Birmingham; gravou com o diretor/ harpista Andrew Lawrence King a ópera “La Púrpura de la Rosa”, e foi vencedora do Portallion Chamber Music Prize. Recentemente participou da releitura da opera “Einstein On the Beach” de Bob Wilson e Philip Glass no Baryshnikov Arts Centre de N.Y. supervisionada pelo próprio Bob Wilson. Desde 1994 realiza diversos trabalhos com a compositora Jocy de Oliveira, entre eles: a Ópera “Illud Tempus” (Haus der Kulturen Der Welt em Berlin); “As Malibrans” (Teatro Carlos Gomes /RJ e Hebel Theatre /Berlin); “Canto e Raga da Noite” (Sergio Porto, Casa França Brasil – RJ); “Kseni, A Estrangeira” (Teatro Carlos Gomes – RJ, SESC Pinheiros –SP); “Who Cares if She Cries” (Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Sala São Paulo); “Revisitando Stravinsky” (SESC Vila Mariana, SP e Teatro Municipal, RJ); e “Berio sem Censura” (Teatro Municipal RJ e Sesc Vila Mariana SP).

Ficha técnica:
Co-criação: Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel Groisman
Direção artística: Gabriela Duvivier
Cantora/ atriz: Gabriela Geluda
Ator/manipulador das traquitanas: Michel Groisman
Painista: Tatiana Dumas
Assistente de público: Anna Valle, Carol Cortes, Rebeca Rodesh
Coordenação de produção: Carla Strachmann
Assistente de produção e formação de público: Monique Anny
Design: Philippe Leon
Gerência administrativa: Carol Rego e Carla Strachmann
Operador de som e luz: Diogo Magalhães

Sinopse: Uma cantora lírica, maquinárias interativas e totalmente inusitadas e muita música integram o espetáculo teatral “Radisfoque”, uma Ópera/Jogo. O público mergulha no universo lúdico e participa diretamente na sua composição através de muita brincadeira.
Radisfoque – Criação: Gabriela Duvivier, Gabriela Geluda e Michel Groisman. Interpretação: Gabriela Geluda; Manipulação ao vivo das traquitanas: Michel Groisman; Direção: Gabriela Duvivier.

Serviço:

Março:

Arena Carioca Carlos Roberto de Oliveira – Dicró: Parque Ari Barroso, s/nº. Penha.
Datas e Horários: dia 07 de março, sábado, às 15h e no dia 08, domingo, às 16h30.
Capacidade: 338 lugares

Lona Cultural Gilberto Gil: Avenida Marechal Fontenelle, 5000. Realengo.
Datas e Horários: 11 de março, quarta, às 15h30 e no dia 12, quinta, às 15h.
Capacidade: 350 lugares

Abril:
Arena Carioca Jovelina Pérola Negra: Praça Ênio, s/nº. Pavuna.
Datas e Horários: dias 08 e 09, quarta e quinta, às 14h.
Capacidade: 330 lugares

Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha: Rua Soldado Eliseu Hipólito, s/nº. Pedra de Guaratiba.
Datas e Horários: dias 16 e 17 de abril, quinta e sexta, às 14h.
Capacidade: 330 lugares

Classificação: livre.
Entrada franca.

About the Author

Luiz Souza
Fotojornalista criador do site Subúrbio RJ. O objetivo do site é compartilhar notícias e acontecimentos importantes da cidade do Rio de Janeiro e da região metropolitana do Rio. O foco principal do site é a divulgação de notícias relacionadas à cultura e eventos importantes para a cidade como o Jogos Olímpicos Rio 2016.

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